A Boa Sorte (La buena suerte, no original) é uma fábula curta de Álex Rovira e Fernando Trías de Bes, dois autores e consultores de marketing espanhóis. O livro saiu em 2004, vendeu milhões de exemplares e foi traduzido para mais de quarenta idiomas. Dá para ler de uma vez só.
A história
Merlin reúne os cavaleiros e dá uma notícia. Daqui a sete noites, um trevo mágico de quatro folhas vai nascer em algum lugar do Bosque Encantado, e quem ficar com ele terá sorte sem limites.
O bosque é enorme e o trevo é minúsculo. A maioria dos cavaleiros conclui que é procurar agulha no palheiro e volta para casa. Dois deles partem mesmo assim: Nott, o cavaleiro de preto, e Sid, o cavaleiro de branco.
Os dois fazem a mesma pergunta às criaturas do bosque: onde o trevo vai nascer? E ouvem a mesma resposta: nunca nasceu trevo por aqui.
Para Nott, o assunto acaba ali. Ele passa os sete dias cada vez mais amargo, esperando que a sorte prove que todo mundo estava errado.
Sid ouve a mesma resposta e faz uma segunda pergunta: do que um trevo precisaria para nascer aqui? Precisaria de terra nova, água, luz do sol e um chão sem pedras. Então ele escolhe um pedacinho de terra e passa os dias preparando esse lugar. Leva terra nova, puxa água até ali, corta os galhos que tapam o sol e tira as pedras. Ninguém prometeu a ele que o trevo escolheria o seu cantinho.
Na sétima noite, as sementes caem. Caem no bosque inteiro, sobre Nott tanto quanto sobre Sid. E criam raiz num lugar só, o pedaço de terra que estava pronto para elas.
Sorte e boa sorte
O livro separa duas coisas que costumam ter o mesmo nome. Sorte é o que acontece com você. Ela chega por acaso e vai embora do mesmo jeito. Boa sorte é o que acontece quando o acaso cai num terreno que você preparou. As sementes caem para todo mundo, então oportunidade é comum, e terra preparada é rara.
O que mais chama atenção é o pouco que Sid sabia. Ele não tinha ideia de onde o trevo ia aparecer. Cuidou da única parte que dependia dele, e quando as sementes caíram, o pedaço dele era o único capaz de segurá-las.
Onde entra o Tzolkin
Os cavaleiros ganharam uma coisa que quase nenhum de nós tem: uma data. Merlin disse sete noites, então Sid conseguiu planejar o trabalho de acordo com o tempo que tinha.
A maioria de nós se prepara sem calendário. A gente se mata de trabalhar em semanas feitas para descansar e fica esperando em semanas feitas para começar.
O Tzolkin é uma contagem de 260 dias que vem dos maias. Cada dia junta um dos 20 Selos com um dos 13 Tons, então cada dia tem um jeito próprio. O dia em que você nasceu é o seu Kin. A partir dele, a contagem dá forma aos seus dias: sequências de 13 dias com um mesmo tema, dias bons para começar algo, dias para decidir, dias para terminar, dias para deixar ir.
O Tzolkin deixa o trabalho com você, como a fábula faz. O que ele acrescenta é o calendário. Ele te diz que tipo de dia é hoje, para você saber se é dia de revirar a terra, de tirar as pedras ou de plantar.
Sid construiu a própria boa sorte se preparando antes das sementes caírem. Conhecer os seus dias é um jeito de saber o que preparar, e quando.
Se quiser ver os seus, digite a sua data de nascimento na página inicial. Descobrir o seu Kin é grátis e leva poucos segundos.